Quais são as principais características do Backlog do Produto?

Conforme consta no Guia Scrum, o Backlog do Produto consiste em uma lista ordenada que contém as características, funções, requisitos, melhorias e correções que precisam ser transformadas em incrementos do produto durante as iterações. Ou seja, representa o produto final que deverá ser entregue após à conclusão do projeto. O Backlog do Produto deve ser a única fonte de requisitos para qualquer alteração a ser aplicada no produto.

O Dono do Produto é o responsável pelo Backlog do Produto, o que inclui gerenciar e ordenar o seu conteúdo, além de mantê-lo disponível a todos os interessados.

O Backlog do Produto muda constantemente com o intuito de identificar todas as características do produto que são necessárias para torná-lo mais apropriado, competitivo e útil. Enquanto um produto existir, seu Backlog de Produto também existirá.

Principais características de um Backlog do Produto

Roman Pichler e Mike Cohn (autores e especialistas em Scrum) criaram o acrônimo DEEP, com o intuito de descrever quais são as principais características que tornam um Backlog do Produto valoroso. O acrônimo significa:

Detalhado apropriadamente (D)

              Conforme consta no Guia Scrum, os itens do topo do Backlog do Produto devem ser mais detalhados em relação aos itens de ordem mais baixa. Isso ocorre porque os itens do topo do Backlog estão prestes a serem desenvolvidos em uma Sprint e, dessa forma, os mesmos necessitam estar em um nível de detalhe que permita ao Time de Desenvolvimento construí-los.

              Já os itens menos prioritários possuem um menor nível de detalhamento, uma vez que os mesmos serão construídos a médio ou longo prazo e, durante esse período, eles podem sofrer alterações, ficarem obsoletos ou serem repriorizados.

Emergente (E)

              O Backlog do Produto é dinâmico e, por esse motivo, nunca estará completo. Ele evolui conforme o produto e o ambiente no qual ele será utilizado evoluem. Durante o desenvolvimento de um produto, novos requisitos podem ser identificados, problemas podem aparecer, ou requisitos atualmente existentes podem vir a se tornarem obsoletos devido a mudanças em requisitos de negócio, condições de mercado ou tecnologia.

 Estimado (E)

              Durante a leitura do texto O Planejamento no Scrum, dissemos que os itens do Backlog do Produto devem ser estimados. Isso ocorre, pois, as estimativas irão auxiliar o Dono do Produto a:

  • Priorizar o Backlog do Produto.
  • Realizar o Planejamento das Releases.
  • Monitorar o progresso rumo ao atingimento dos objetivos.
  • Etc.

Porém, esteja ciente que os itens do topo do Backlog do Produto estarão mais detalhados em relação aos itens inferiores, o que significa que a precisão das estimativas dos primeiros itens será muito maior em relação aos que estão no final do Backlog.

Priorizado (P)

Os itens do Backlog do Produto devem ser priorizados e ordenados corretamente. Os requisitos mais importantes para o negócio e que irão gerar maior valor ficam posicionados no topo do Backlog do Produto. Já os requisitos de menor importância estarão no final do Backlog do Produto.

O Dono do Produto, ao priorizar os itens do Backlog do Produto, pode considerar:

  • O valor do retorno do investimento realizado.
  • As necessidades dos clientes.
  • As dependências existentes entre os itens do Backlog do Produto.
  • Os Riscos para o projeto.
  • Qualquer outro motivo que o Dono do Produto julgue importante.

Priorize e construa apenas os itens do Backlog que agregam maior valor para o negócio

Princípio de Pareto

O princípio de Pareto (também conhecido como regra do 80/20) nos diz que, dentre muitos eventos, por volta de 80% dos efeitos originam-se de apenas 20% das causas.

Essa mesma regra pode ser aplicada ao desenvolvimento de um produto: Normalmente, 80% do valor gerado por um produto é originado por apenas 20% de suas funcionalidades.

Dessa forma, a fim de evitar desperdício de tempo e de recursos, o Dono do Produto deve priorizar o desenvolvimento dos 20% dos itens do Backlog do Produto que irão agregar o maior valor para o negócio. Os 80% dos itens restantes devem ficar para depois.

Existem várias técnicas que auxiliam o Dono do Produto a priorizar o Backlog do Produto e, dentre elas, podemos citar a análise MoSCoW, que é de propriedade do framework Dynamic Systems Developent Method (DSDM). 

Técnica MoSCoW

Ao utilizar essa técnica, o Dono do Produto deve representar os itens do Backlog do Produto como sendo:

  • Must Have – Os itens do Backlog do Produto com essa classificação são imprescindíveis para o produto em desenvolvimento. Sendo assim, caso uma dessas funcionalidades não faça parte do produto, ele perderá o seu propósito. Esses itens devem ser desenvolvidos durante as primeiras Sprints do projeto.
  • Should Have – As funcionalidades que recebem essa categorização são importantes para o cliente, porém, não são vitais para o negócio.
  • Could Have – São os itens do Backlog do Produto que os stakeholders gostariam que fizessem parte do produto, mas que não são importantes para o negócio.
  • Won’t Have – Finalizando, os itens que recebem essa classificação não geram nenhum valor para o negócio no momento atual e não devem ser desenvolvidos.

É importante dizer que, conforme o projeto vai sendo executado e os requisitos vão sendo melhor compreendidos, um item do Backlog do Produto pode mudar de classificação. Por exemplo, um item que não fazia sentido e estava classificado como Won’t Have, eventualmente pode ter sido reclassificado como Should Have devido a uma mudança no mercado.

Em minha opinião, os itens designados como Must Have e Should Have estão entre os 20% que agregam o maior valor para o negócio e, consequentemente, são os itens que o Dono do Produto irá adicionar ao topo do Backlog do Produto.

Para finalizar, gostaria de frisar que o Dono do Produto possui uma enorme responsabilidade ao gerenciar e priorizar corretamente o Backlog do Produto, pois, caso contrário, o produto desenvolvido pode não atender às necessidades dos Stackholders e, consequentemente, não gerar valor para o negócio.

Muito obrigado pela sua atenção.

William

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